Sabe o que acho mais triste de um relacionamento que acaba?
Quando você começa a recordar daqueles pequenos momentos dos primeiros dias em que vocês se conheceram.
Aquele dia no qual ele dobrou a manga da sua camisa na frente da loja de CD.
Aquele convite pra ir no cinema no meio da conversa no horário do almoço.
E nós assistindo ao filme e você me olhando de vez em quando. E eu notando, mas fingindo que não.
O modo como você pediu pra sublinhar as partes do livro do Napoleão que eu gostei. E eu o fiz.
E quando você chorou ao me pedir em namoro. E eu não, porque segurei achando que ia me ver como uma boba chorona.
Aqueles momentos. Aqueles que você não sabe se está mais interessada nele do que ele em você.
E que não parecem nada, mas significam tanto.
Ridículos momentos de medo e vergonha que agora você se lembra com tanto carinho.
Eu queria que eles acontecessem todos os dias. Todos os dias da vida.
Mas eu sei que não. E acho que entendo que com a intimidade essas coisas esmaecem.
E por isso que os pequenos gestos são tão importantes... são pra te lembrar que aqueles momentos significam alguma coisa sim.
E continuam significando. Mesmo depois de tudo terminado.
Mesmo que eu ou você encontre ou não o amor das nossas vidas e nos casemos e tenhamos filhos e contas e problemas e fraldas pra trocar e brinquedos para recolher e flores pra regar e louça pra lavar.
Os momentos existiram. Estão lá. Mas ficaram pra trás.
Isso não é outro até logo. Isso é um adeus.
Lady V. - tá tudo embaçado, parece um sonho.
Um surdo, um louco e duas mortas.
domingo, septiembre 25, 2011
miércoles, junio 15, 2011
a mess pretty much
A cadela chora, eu levanto, bebo um copo d'água. Volto pra cama.
Ela para de chorar porque abri a porta da sala e vai poder dormir no sofá.
Ela já tem uma certa idade. Eu também.
Os anos pesam como bolha de sabão, você não percebe mas eles estouram na sua cara deixando respingos em todas as partes da sua vida.
Por que os cães são os melhores amigos dos homens? Porque nunca te abandonam. Você pode bater, chutar, xingar... eles continuam ali precisando de você.
Tomo um gole de uísque antes de sair de casa. Só um. Faço cara feia e salivo, mas queria mais.
Tento engolir um remédio pra dor de garganta, desce rasgando, lágrimas pulam de meus olhos.
Por causa de um remedinho de garganta? Vai se fuder. Nada esses merdas fazem certo.
"The last eight, nine years of my life have been a mess," he said. "Maybe the last two have been a little better. Less rolling in the trough of the wave. Have you ever been analyzed? I was afraid of it at first. Afraid it might destroy the impulses that made me creative, an artist. A sensitive person receives fifty impressions where somebody else may only get seven. Sensitive people are so vulnerable; they're so easily brutalized and hurt just because they are sensitive. The more sensitive you are, the more certain you are to be brutalized, develop scabs. Never evolve. Never allow yourself to feel anything, because you always feel too much. Analysis helps. It helped me. But still, the last eight, nine years I've been pretty mixed up, a mess pretty much. . . ." - Marlon Brando
Lady V. - por um instante esqueci quem era.
Ela para de chorar porque abri a porta da sala e vai poder dormir no sofá.
Ela já tem uma certa idade. Eu também.
Os anos pesam como bolha de sabão, você não percebe mas eles estouram na sua cara deixando respingos em todas as partes da sua vida.
Por que os cães são os melhores amigos dos homens? Porque nunca te abandonam. Você pode bater, chutar, xingar... eles continuam ali precisando de você.
Tomo um gole de uísque antes de sair de casa. Só um. Faço cara feia e salivo, mas queria mais.
Tento engolir um remédio pra dor de garganta, desce rasgando, lágrimas pulam de meus olhos.
Por causa de um remedinho de garganta? Vai se fuder. Nada esses merdas fazem certo.
"The last eight, nine years of my life have been a mess," he said. "Maybe the last two have been a little better. Less rolling in the trough of the wave. Have you ever been analyzed? I was afraid of it at first. Afraid it might destroy the impulses that made me creative, an artist. A sensitive person receives fifty impressions where somebody else may only get seven. Sensitive people are so vulnerable; they're so easily brutalized and hurt just because they are sensitive. The more sensitive you are, the more certain you are to be brutalized, develop scabs. Never evolve. Never allow yourself to feel anything, because you always feel too much. Analysis helps. It helped me. But still, the last eight, nine years I've been pretty mixed up, a mess pretty much. . . ." - Marlon Brando
Lady V. - por um instante esqueci quem era.
lunes, diciembre 20, 2010
Blankets
Um dos livros que mais gosto é aquele que tem uma linda dedicatória pra mim.
Acho que é a única dedicatória que já recebi, talvez por isso também tenha um sabor especial.
Eu deveria estar escrevendo no outro blog, que eu realmente preciso atualizar, e quero tornar famoso. Esse é mais meu divã virtual. Mas na verdade quis escrever aqui, só um pouco.
Um outro escritor de blog me lembrou desse livro semana passada e hoje fui guardar uma folha seca em um livro e escolhi esse. Tinha até me esquecido da dedicatória e quando abri o livro, ali estava ela. Reli.
Pena que a amizade já não seja a mesma. Pena que ela nem exista mais.
A dedicatória continua. Bonita como sempre foi.
Já passei da fase de chorar amizades perdidas, pelo tempo, pelo espaço, pela bobeira. Mas sempre bate algo quando você recorda, né?!
É aquela coisa, perdemos tudo a todo instante, coisas que sequer nos lembramos, aprendemos a perder com isso. A passar pela frustração.
Aprenda a perder algo todo dia, como diz aquele poema The art of losing da Elizabeth Bishop, nem sempre queremos aprender, mas é algo assim, da vida mesmo.
Mesmo assim, obrigada. O livro é lindo e a dedicatória mais.
Lady V. - Retalhos, Craig Thompson.
Acho que é a única dedicatória que já recebi, talvez por isso também tenha um sabor especial.
Eu deveria estar escrevendo no outro blog, que eu realmente preciso atualizar, e quero tornar famoso. Esse é mais meu divã virtual. Mas na verdade quis escrever aqui, só um pouco.
Um outro escritor de blog me lembrou desse livro semana passada e hoje fui guardar uma folha seca em um livro e escolhi esse. Tinha até me esquecido da dedicatória e quando abri o livro, ali estava ela. Reli.
Pena que a amizade já não seja a mesma. Pena que ela nem exista mais.
A dedicatória continua. Bonita como sempre foi.
Já passei da fase de chorar amizades perdidas, pelo tempo, pelo espaço, pela bobeira. Mas sempre bate algo quando você recorda, né?!
É aquela coisa, perdemos tudo a todo instante, coisas que sequer nos lembramos, aprendemos a perder com isso. A passar pela frustração.
Aprenda a perder algo todo dia, como diz aquele poema The art of losing da Elizabeth Bishop, nem sempre queremos aprender, mas é algo assim, da vida mesmo.
Mesmo assim, obrigada. O livro é lindo e a dedicatória mais.
Lady V. - Retalhos, Craig Thompson.
miércoles, diciembre 01, 2010
Denial
Ela estava "a mess", como diriam os americanos. Uma bagunça, era assim mesmo que se sentia.
Saiu para o trabalho como todas as manhãs, cabelo despenteado, papéis desorganizados, enfiou os sapatos de qualquer jeito e trancou a porta.
Destrancou a porta. O dia tinha sido um completo desgaste. Metade das coisas que tinha que fazer não conseguiu terminar, as pessoas que procurava nunca estavam, não resolveu problemas e nem finalizou as soluções.
Cristo!
Fora aquele... hm... relacionamento, que também estava uma bagunça.
Queria estar com ele, mas ele não era mais o mesmo fazia um tempo, e o encantamento tinha ido embora e a vontade de tentar estava se esgotando.
Aquela mancha na mesa da sala parecia que estava aumentando. Como? Além de tudo a maldita mancha na mesa que fora de seus avós! Pegou um pano e esfregou. Álcool, detergente, desinfetante, tira-gordura, tira-mancha, tira-tudo. Nada funcionou.
Parou de tentar. Suada. Bagunçada.
Sentou numa cadeira e deitou o rosto nos braços, por 2 minutos, chorou. Chorou os 2 minutos inteiros. E então decidiu.
Não dava mais, iria telefonar, encontrar e dizer que não dava mais.
Acabou, e ela finalmente aceitou isso.
Olhou para mesa. Encostou o dedo sujo na língua e esfregou na mancha. Um encardido saiu em seu dedo e a mancha sumiu.
Lady V. - "A demora é a forma mais letal de negação"
Saiu para o trabalho como todas as manhãs, cabelo despenteado, papéis desorganizados, enfiou os sapatos de qualquer jeito e trancou a porta.
Destrancou a porta. O dia tinha sido um completo desgaste. Metade das coisas que tinha que fazer não conseguiu terminar, as pessoas que procurava nunca estavam, não resolveu problemas e nem finalizou as soluções.
Cristo!
Fora aquele... hm... relacionamento, que também estava uma bagunça.
Queria estar com ele, mas ele não era mais o mesmo fazia um tempo, e o encantamento tinha ido embora e a vontade de tentar estava se esgotando.
Aquela mancha na mesa da sala parecia que estava aumentando. Como? Além de tudo a maldita mancha na mesa que fora de seus avós! Pegou um pano e esfregou. Álcool, detergente, desinfetante, tira-gordura, tira-mancha, tira-tudo. Nada funcionou.
Parou de tentar. Suada. Bagunçada.
Sentou numa cadeira e deitou o rosto nos braços, por 2 minutos, chorou. Chorou os 2 minutos inteiros. E então decidiu.
Não dava mais, iria telefonar, encontrar e dizer que não dava mais.
Acabou, e ela finalmente aceitou isso.
Olhou para mesa. Encostou o dedo sujo na língua e esfregou na mancha. Um encardido saiu em seu dedo e a mancha sumiu.
Lady V. - "A demora é a forma mais letal de negação"
domingo, octubre 31, 2010
Home
You hope for something weird.
Era isso, ela esperava por algo estranho. Ela sabia que tudo era estranho, inclusive ela, mas agora, ela realmente esperava que fosse algo estranho. Algo que nada tivesse a ver com ela.
Era a tal da sensação. A que ela não sabia se já havia sentido antes. A que não lembrava.
Não era exatamente desprezo, rejeição. Porque isso, ah, isso ela já havia sentido antes. Não não. Era a sensação de... você não gosta de mim de verdade. Não tanto quanto eu gosto de você.
E agora? O que fazer com tudo isso? Ou com esse pouco?
Era isso mesmo ou seria tudo imaginação? Seria o medo? A mania de sabotar as coisas boas?
Colocou os sapatos vagarosamente no chão. Entrou descalça na casa. Suja, poeirenta, cabelo, restos de comida, pedacinhos de papel, tudo. Pisou em tudo. Deixou tudo tocá-la.
Fechou os olhos. Inspirou o ar. Expirou. Sorriu.
Não estava usando dublê, tudo o que sentia e sentiria, seria na pele, seria na carne, direto no coração.
Caminhou, pulou, dançou. Dentro dessa casa. A casa dele. Só esperava que ele fizesse o mesmo na dela. Na que era tão suja quanto, mas que aos poucos estava limpando e que, por enquanto, escondia as sujeiras debaixo do tapete.
Ele entrou, de sapatos, casacos, sentou no sofá, assistiu TV.
Saberemos.
Algum dia saberemos.
Lady V. - shenanigans
Era isso, ela esperava por algo estranho. Ela sabia que tudo era estranho, inclusive ela, mas agora, ela realmente esperava que fosse algo estranho. Algo que nada tivesse a ver com ela.
Era a tal da sensação. A que ela não sabia se já havia sentido antes. A que não lembrava.
Não era exatamente desprezo, rejeição. Porque isso, ah, isso ela já havia sentido antes. Não não. Era a sensação de... você não gosta de mim de verdade. Não tanto quanto eu gosto de você.
E agora? O que fazer com tudo isso? Ou com esse pouco?
Era isso mesmo ou seria tudo imaginação? Seria o medo? A mania de sabotar as coisas boas?
Colocou os sapatos vagarosamente no chão. Entrou descalça na casa. Suja, poeirenta, cabelo, restos de comida, pedacinhos de papel, tudo. Pisou em tudo. Deixou tudo tocá-la.
Fechou os olhos. Inspirou o ar. Expirou. Sorriu.
Não estava usando dublê, tudo o que sentia e sentiria, seria na pele, seria na carne, direto no coração.
Caminhou, pulou, dançou. Dentro dessa casa. A casa dele. Só esperava que ele fizesse o mesmo na dela. Na que era tão suja quanto, mas que aos poucos estava limpando e que, por enquanto, escondia as sujeiras debaixo do tapete.
Ele entrou, de sapatos, casacos, sentou no sofá, assistiu TV.
Saberemos.
Algum dia saberemos.
Lady V. - shenanigans
domingo, septiembre 12, 2010
Essas coisas
"Nosso medo mais profundo não é o de sermos inadequados.
Nosso medo mais profundo
é que somos poderosos além de qualquer medida.
É a nossa luz, não as nossas trevas,
O que mais nos apavora.
Nós nos perguntamos:
Quem sou eu para ser Brilhante, Maravilhoso, Talentoso e Fabuloso?
Na realidade, quem é você para não ser?
Você é filho do Universo.
Se fazer pequeno não ajuda o mundo.
Não há iluminação em se encolher, para que os outros não se sintam inseguros quando estão perto de você.
Nascemos para manifestar a glória do Universo que está dentro de nós.
Não está apenas em um de nós: está em todos nós.
E conforme deixamos nossa própria luz brilhar, inconscientemente damos às outras pessoas a permissão para fazer o mesmo.
E conforme nos libertamos do nosso medo, nossa presença, automaticamente, liberta os outros."
Mandela.
Lady V. - luz
Nosso medo mais profundo
é que somos poderosos além de qualquer medida.
É a nossa luz, não as nossas trevas,
O que mais nos apavora.
Nós nos perguntamos:
Quem sou eu para ser Brilhante, Maravilhoso, Talentoso e Fabuloso?
Na realidade, quem é você para não ser?
Você é filho do Universo.
Se fazer pequeno não ajuda o mundo.
Não há iluminação em se encolher, para que os outros não se sintam inseguros quando estão perto de você.
Nascemos para manifestar a glória do Universo que está dentro de nós.
Não está apenas em um de nós: está em todos nós.
E conforme deixamos nossa própria luz brilhar, inconscientemente damos às outras pessoas a permissão para fazer o mesmo.
E conforme nos libertamos do nosso medo, nossa presença, automaticamente, liberta os outros."
Mandela.
Lady V. - luz
sábado, agosto 21, 2010
Na da paixão
E nós dois sujos de ferormonios nos querendo ainda mais.
Pelo cansaço, pelo suicídio, pelo árduo dia.
O desodorante vencido, a transa de ontem, o carinho de hoje.
E a grandiosa novidade.
Deixando tudo mais aventuresco, mais safado e excitante.
Adrenalina.
Lady V. - nem dublê, nem paraquedas.
Pelo cansaço, pelo suicídio, pelo árduo dia.
O desodorante vencido, a transa de ontem, o carinho de hoje.
E a grandiosa novidade.
Deixando tudo mais aventuresco, mais safado e excitante.
Adrenalina.
Lady V. - nem dublê, nem paraquedas.
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